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Perfume de terra molhada


Quando criança adorava ficar no colo de minha mãe e enfiar o nariz no lado de dentro do seu cotovelo e ficar sentindo “cheirinho de mãe”. Era aconchegante e reconfortante. Como era muito moleque e piromaníaca, vivia impregnada com cheiros de infância, uma mistura de suor, terra e fumaça.

Por mais estranha que eu pareça, e sou, até o cheiro de banana me traz recordações. Estes dias levei uma banana na bolsa e o cheirinho de merenda de escola que ela deu foi uma delícia. Fechei os olhos e voltei direto para o Grupo Escolar Barão do Rio Branco, nos meus sete aninhos e lembrei até da lancheira de um amiguinho, que era de lata, no formato de um vagão de trem, uma graça. Lembrei também, do lanche da menina rica da cidade, pão de trigo com leite condensado.

Tá vendo o que o cheiro faz? Transporta-nos ao que há de melhor em nossas vidas, resgata um tempo que foi bom e é necessário a nossa memória olfativa.

Pipoca não lembra cinema? Café…hummm!!! Não sei qual o melhor, cheiro ou sabor, lembra cheiro de lar, casa de vó, uma delícia. E cheiro de terra molhada então, chego a respirar bem devagar pra sentir totalmente este aroma.

Adoro ir na casa de praia de minha irmã e sentir o cheirinho de roupa seca ao sol. Um soninho sob um cobertor que pegou um sol o dia todo é reconfortante.

Outros cheiros me encantam, pão no forno, limão, tomilho, grama cortada, cheiro de livro novo, perfume de alfazema, cera e cheiro de vento… este é maravilhoso, principalmente quando anuncia chuva.

Esta é a verdadeira aromoterapia, fechar os olhos e sentir devagarzinho. Eles nos transportam, nos confortam e nos traz sentimentos bons que estavam esquecidos.

Deveriam engarrafar estes cheiros e fazer perfumes. Já imaginaram, perfume de terra molhada?

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