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No jardim da Ildinha

casa-ildinhaEra um jardim despretensioso, sem preocupação com simetria. Um jardim de surpresas e sensações: bocas de leão para abrir, rosas para cheirar, musgos crescendo espontaneamente sobre a umidade das pedras e margaridas para desfolhar no bem-me-quer e mal-me-quer. Não existiam nele regras de paisagismo nem de design, era feito com o trabalho da dona da casa que colocava nele apenas terra, água, amor e paciência na espera de cada floração.

Este era o jardim da Ildinha. Lembro de cada detalhe de seu jardim e de sua casa. Tudo lá era mágico. O tanque que corria água continuamente do morro e que tomávamos banho nos dias quentes de verão. O pinheiro de Natal com algodão salpicado sobre ele e enfeitado com bolas de vidro coloridas. Do presépio com um espelho fazendo as vezes de laguinho, sob uma ponte, onde os Reis Magos passavam.

Lembro do doce de banana que sua mãe Dona Maria fazia e com a colher cheia íamos comer, pulando sobre sua cama de lençóis brancos e engomados. Não lembro daquela mulher brigar com a gente.

Sua casa ficava no pé de um pequeno morro e logo atrás de sua casa, havia uma horta de morangos. Nossa! Encontrar e comer um morango daqueles era o máximo!

Subindo mais um pouco, havia a marcenaria do seu pai, onde brincávamos entre as serragens e criávamos nossas casas imaginárias, fazíamos sofás e camas com os toquinhos de madeira que sobravam.

Atrás da marcenaria ficava um parreiral de uvas, ladeados por pés de abacaxis,  que subia o morro à perder de vista,

Sempre que estou triste, fujo para a casa da Ildinha. Esta casa nem deve existir mais, mas está na minha memória e lembro cada detalhe dela.

Lembro de Ildinha também, uma italianinha linda e sardenta. Hoje ela deve ter uns 55 anos e desde aquela época não a vejo mais e nem sei onde mora agora. Se você conhece Ilda Zanatta (hoje deve ter o sobrenome de casada), que morava em Urussanga, me avise, tenho muitas saudades dela!

 

Hoje dia 14/12/11, tive meu presente de Natal. Falei pelo telefone com Ildinha. Está bem, casada, mora em Cocal do Sul e lembrou que eu era a madrinha de sua boneca Susy e que guarda até hoje, os presentes que dei para a boneca. 
Ah!…e casa ainda existe, é essa da foto acima.

Vou dormir feliz!
Fotos: Amuse Bouches e Vicente De Bona Filho
2 comentários
  1. Anônimo
  2. Anônimo

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