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Por um segundo

Há onze anos, no dia seguinte ao acontecimento de 11 de setembro, meu filho, na época estava com 10 anos, escreveu este poema. Achei incrível um menino daquela idade conseguir transformar em poesia algo que deixou sem palavras o mundo todo.

Por um segundo

Por um segundo
Estremece o mundo
Um corte profundo
Um grito imundo

Pelos corredores
Ecoam as dores

Por um momento
Um vento cinzento
Um toque, um tormento
Um berro adentro
Ecoante a voar

Um grito mudo
Um berro surdo
Um som agudo
Espalha no ar

Um momento de calma
Retalham-se as almas
E a morte se espalha
Até o luar

Um estalo crescente
Uma chama ardente
Um mundo incontente
Estarrece ao olhar

O terror cresce
O gigante desaparece
E o fogo perece
A beira do mar

Por um único segundo
Adentro de um mundo imundo
O desastre acontece
Por isso ninguém merece
Mas a dor prevalece
Até acabar

Por um segundo
Extremece o mundo
Um corte profundo
Não ira cicatrizar

Artur Mendes Cook

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