Bruxas da Ilha da Magia: conheça as lendas de Florianópolis

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  • Última modificação do post:14/08/2026
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“Não acredito que eles foram à Lua, não acredito… A Arca de Noé? Ahhh… isso foi verdadeiro!”

Se você conhece um manezinho da Ilha, provavelmente já ouviu alguma frase parecida. Porque, por aqui, a fronteira entre o que aconteceu, o que alguém contou e o que a imaginação resolveu melhorar um pouquinho é bastante flexível. E talvez seja justamente por isso que Florianópolis seja conhecida como Ilha da Magia. Tem praia bonita, tem lagoa, tem vento sul, tem tainha, tem rendeira, tem pescador, tem benzedeira, tem “causo” contado na porta de casa… e, claro, tem bruxa.

As lendas das bruxas de Florianópolis fazem parte do imaginário e da cultura popular da Ilha de Santa Catarina. Essas histórias foram transmitidas oralmente ao longo das gerações e acabaram se tornando uma das marcas mais curiosas do folclore local. O próprio IPHAN registra as histórias de bruxas e a lenda das bruxas de Itaguaçu entre as referências culturais de Florianópolis.

E antes que alguém me pergunte: não, eu nunca encontrei uma voando por aí. Pelo menos não que eu saiba.

As bruxas da Ilha da Magia

As histórias de bruxas fazem parte de uma tradição popular muito ligada à cultura das comunidades da Ilha. Durante muito tempo, esses “causos” foram contados de boca em boca. Uma avó contava para a filha, que contava para a neta, que acrescentava um detalhe, aumentava outro… e assim a história ia ganhando vida.

É assim que funciona uma boa lenda. Ela não precisa de certidão de nascimento. Precisa apenas de alguém disposto a contá-la.

A chamada “cultura bruxólica” de Florianópolis foi registrada e estudada por pesquisadores, artistas e folcloristas. Entre eles está Franklin Cascaes, que dedicou boa parte de sua vida a pesquisar as tradições, os mitos e as histórias da Ilha de Santa Catarina. Em 1979, foi publicada a obra O Fantástico na Ilha de Santa Catarina, reunindo histórias pesquisadas por Cascaes sobre as bruxas da região. (Aplicações FCC). E foi assim que muitas dessas histórias deixaram de ser apenas conversa de vizinho e passaram a fazer parte da memória cultural de Florianópolis.

Bruxas da Ilha da Magia Franklin Cascaes
Franklin Cascaes

A lenda das pedras das bruxas de Itaguaçu

Uma das histórias mais conhecidas é a lenda das bruxas de Itaguaçu. Conta a tradição popular que um grupo de bruxas resolveu fazer uma grande festa. Só que cometeram um erro gravíssimo: não convidaram o diabo.

Ora, convenhamos… se você está organizando uma festa de bruxas, talvez seja melhor conferir a lista de convidados até o fim. Dizem que, furioso com a exclusão, ele apareceu mesmo assim e transformou as bruxas em pedras. E é por isso que as pedras de Itaguaçu ficaram associadas, no imaginário popular, às bruxas da Ilha.

A história é uma lenda, evidentemente. Mas as pedras existem e fazem parte da paisagem de Itaguaçu. Documentos de planejamento e patrimônio da Prefeitura de Florianópolis também registram a relação dessas pedras com as lendas das bruxas. (Strapi)

Bruxas da Ilha da Magia - Florianópolis
Praia do Itaguaçu.

É esse encontro entre paisagem e imaginação que torna a história tão interessante. A pedra está ali. A bruxa… bom, essa depende da sua disposição para acreditar.

As bruxas e os pescadores

Outra história bastante conhecida fala das bruxas que gostavam de aprontar com os pescadores. Diziam que elas roubavam os barcos e os levavam para outras ilhas.

Agora imagine a cena: o pescador sai para trabalhar e, quando volta, o barco resolveu fazer turismo sem avisar. As lendas desse tipo também ajudam a entender como os antigos moradores explicavam acontecimentos misteriosos ou situações que não conseguiam compreender.

Antes de existir previsão do tempo no celular, GPS, radar e aplicativo dizendo “não saia de casa porque vem temporal”, havia o conhecimento dos sinais da natureza — e, às vezes, uma boa história de bruxa para explicar aquilo que ninguém sabia explicar.

Bruxas, benzedeiras e mulheres que conheciam as plantas

Quando falamos das bruxas da Ilha da Magia, também encontramos uma história muito mais humana por trás das lendas. Mulheres que conheciam plantas, ervas, remédios caseiros e práticas tradicionais de cuidado podiam ser vistas com desconfiança e, em determinadas situações, associadas à bruxaria.

As benzedeiras fazem parte dessa memória cultural. Seus conhecimentos e práticas também aparecem entre as referências culturais de Florianópolis. (IPHAN)

Por isso, quando pensamos nas bruxas da Ilha, não precisamos imaginar apenas uma senhora de chapéu pontudo mexendo um caldeirão. Às vezes, a “bruxa” era simplesmente aquela mulher que sabia qual planta usar, conhecia uma simpatia, fazia uma benzedura e tinha sempre uma resposta para tudo. Toda família antiga tinha uma dessas. E ai de quem dissesse que não funcionava!

O meu bruxo preferido

Mas se hoje eu estou falando de bruxas, existe um motivo muito especial. Quero aproveitar o Dia das Bruxas para homenagear o meu bruxo preferido: Alésio dos Passos Santos.

Durante muitos anos trabalhei com ele e, que me perdoem os outros bruxos, mas é um amigo que faz muita falta. Sinto falta da verdade escancarada dele, daqueles conselhos que a gente nem sempre queria ouvir, mas precisava, das conversas e principalmente, daquele abraço gostoso com massagem. Porque meu bruxo não era de transformar ninguém em pedra, era de transformar um dia ruim em um dia melhor.

Com ele aprendi algumas coisas importantes sobre a vida. Aprendi a levá-la com mais leveza, a ser um pouco mais preguiçosa — coisa que, diga-se de passagem, ainda estou praticando — e a parar o que estivesse fazendo para simplesmente conversar com um amigo.

Talvez essa seja uma das maiores magias que alguém pode fazer, ensinar a gente a desacelerar, a rir, a conversar, a aproveitar o tempo e a não levar tudo tão a sério.

E hoje, no Dia das Bruxas eu tinha que homenagear meu bruxo preferido.

alesio bruxo da ilha
Alésio dos Passos Santos

Porque, no fim das contas, talvez a verdadeira magia da Ilha não esteja nas pedras de Itaguaçu, nas histórias de bruxas ou nos mistérios contados pelos antigos, talvez esteja nas pessoas, nas histórias que elas carregam, nos amigos que deixam saudade, nos abraços que a gente gostaria de receber novamente e naquele jeito quase mágico que algumas pessoas têm de entrar na nossa vida e deixar um pouquinho delas para sempre.

A magia das histórias de Florianópolis

As lendas das bruxas de Florianópolis continuam vivas porque fazem parte de uma tradição de contar histórias e não é pouca coisa. O folclore da Ilha reúne histórias, crenças, costumes e manifestações culturais que ajudam a contar quem são os seus moradores e como eles enxergavam o mundo.

Franklin Cascaes teve papel fundamental nesse registro. Seu trabalho reuniu desenhos, esculturas e relatos sobre o folclore e as tradições da Ilha de Santa Catarina, preservando histórias que poderiam simplesmente desaparecer com o passar das gerações. (Aplicações FCC)

Hoje, as bruxas continuam aparecendo na literatura, nas artes, nos eventos culturais e no imaginário de quem visita Florianópolis. Até obras contemporâneas continuam usando as bruxas e os piratas como personagens para contar histórias ambientadas na Ilha da Magia. (Assembleia Legislativa de Santa Catarina)

Afinal, as bruxas existem?

Essa pergunta eu deixo para você responder. Eu, particularmente, acho que existe uma espécie de magia naquilo que conseguimos preservar através das histórias, a história que a avó contou, o “causo” que o pescador jurou que era verdade, a benzedeira que sabia uma receita para tudo, as pedras que viraram bruxas na imaginação popular e aquele amigo que, mesmo depois de tantos anos, continua fazendo falta.

Então, se alguém me perguntar se acredito nas bruxas da Ilha da Magia, talvez eu responda: “Não sei…”, mas que Florianópolis tem magia, ah, isso tem e quem conhece a Ilha sabe.

Bruxas da Ilha da Magia - Florianópolis

Você acredita nas lendas das bruxas de Florianópolis?

Agora quero saber de você: já ouviu alguma história de bruxa da Ilha da Magia? Sua família contava algum “causo” estranho ou engraçado Conte nos comentários. Porque, por aqui, uma boa história nunca deve morrer por falta de quem a conte.

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Léia

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