
Antigamente, quando uma menina era jeitosa, sabia cozinhar, costurar, bordar e se virava bem com as prendas domésticas, sempre aparecia alguém para dizer, com aquele ar de aprovação: “Essa menina prendada está pronta pra casar!” Confesso que essa frase sempre me incomodou um pouco. Afinal, desde quando saber fazer bainha, bordar uma toalha e acertar o ponto do arroz eram critérios para saber se uma mulher estava pronta para o casamento?
Mas esses dias aconteceu uma coisa que me fez lembrar dessa história — e, pela primeira vez, achei que talvez a frase tivesse alguma razão de ser. Pelo menos no caso da minha amiga Cris (@criscardoso.adventure).
Cris comprou um tecido para fazer uma cortina e, muito diligente, alinhavou tudo antes de me mandar para eu passar na máquina. Quando comecei a costurar, percebi que havia alguma coisa muito errada. O alinhavo estava tão malfeito que a costura simplesmente não dava certo. Liguei para ela:
— Cris, você mediu a janela antes de fazer a cortina?
Do outro lado da linha, depois de alguns segundos de silêncio, veio a pergunta que me deixou completamente sem palavras:
— Tem que medir?
Eu não acreditei.
— Como é que uma mãe deixa uma guria dessas casar?
Ela caiu na gargalhada.
E foi aí que pensei: realmente, se o critério fosse saber costurar uma cortina, a Cris estaria oficialmente reprovada no exame de “menina prendada”. Mas ainda bem que a vida é muito mais interessante do que isso. Porque se a Cris não nasceu para a máquina de costura, nasceu com talentos muito mais bonitos. Ela escreve maravilhosamente bem, é autora de contos e que são livros deliciosos de ler.
Durante muito tempo, também se dedicou ao jornalismo. Ultimamente, trocou um pouco as notícias pelas estradas, trilhas e paisagens. Corre quilômetros por esporte e hoje é guia de turismo de aventura.

E, pensando bem, isso tem tudo a ver com ela. Para a Cris, que ama a natureza, levar pessoas para conhecer lugares, trilhas e paisagens não parece exatamente um trabalho. Parece diversão sem crachá. Mas, de todos os talentos da Cris, existe um que é o que mais admiro: a sua sensibilidade.
Ela tem a capacidade de enxergar a alma das pessoas e perceber beleza e valor nas coisas mais simples. É daquelas pessoas que conseguem transformar um pequeno gesto em uma lembrança que fica.
Outro dia, ela apareceu lá em casa com um presente. Era um pequeno ramalhete de ervas e temperos, que ela mesma juntou, envolveu em papel craft e amarrou com uma delicada fitinha dourada. Só isso. E era lindo!
Não porque fosse caro ou sofisticado, mas porque tinha aquele ingrediente que não se compra em lugar nenhum: carinho.
Cris é assim. Surpreendente. Delicada. Um doce de pessoa.
E fiquei pensando que aquele pequeno ramalhete era uma ideia maravilhosa para presentear as amigas. Em vez de mais um presente comprado no shopping, mais uma lembrancinha que vai acabar esquecida numa gaveta ou o tradicional vaso de violetas que já ganhou cadeira cativa na lista de presentes, que tal levar um pequeno ramalhete de ervas?
Pode ser alecrim, manjericão, hortelã, sálvia, tomilho… de preferência colhido no próprio jardim. É só juntar, envolver em um pedaço de papel craft e amarrar com uma fita bonita. Pronto! Um presente simples, cheiroso, delicado e cheio de afeto.
E talvez seja justamente isso que eu mais gosto nas coisas que vêm da Cris: elas nunca são apenas coisas. Um ramalhete de ervas vira carinho. Uma fitinha dourada vira cuidado.Um pedaço de papel craft vira presente.
E uma mulher que não sabe nem se precisa medir a janela antes de fazer uma cortina vira uma das pessoas mais interessantes, sensíveis e talentosas que conheço. Quanto às prendas domésticas, deixemos isso para lá. Afinal, depois de tantos anos, acho que finalmente entendi: ninguém precisa estar “pronta para casar”.
Mas uma boa amiga, escritora, mãe, guia de aventuras e colecionadora de pequenos gestos de carinho… essa, sim, é uma baita sorte de ter por perto. ❤️



Crônica deliciosa, Léia.Eu, como não sou prendada em coisas do lar, nem deveria ter me casado. Compro tudo pronto. Só faço o trivial. Massssss para não dizer que sou completamente um desastre, já tive meus tempos de bordados e costuras. Hoje, nem faço mais questão de fazer nada. Só quero escrever (e pintar algumas telas). Acho que está de bom tamanho.beijossssssssss
Cada um com seus talentos e sei que vc tem muitos!
Obrigada Léia! Que bom que te inspiro bons sentimentos. É o mesmo que sinto quando vou na tua casa e me vejo cercada das tuas "prendas domésticas" de bom gosto. Sou mesmo um zero à esquerda pra fazer. Ainda lembro que me perguntastes se eu tinha fita métrica e te respondi com outra pergunta desastrosa: uma trena serve? E já que a coisa é difícil assim, sigo trocando minha improvável possibilidade de casamento por umas taças de vinho entre amigos do coração. Grande abraço,Cris
Você sempre me traz paz! Obrigada querida
Ai, que linda! Amei, fiquei até com inveja "rsrsrs", poxa sou tão prendada, tb não casei, diz o Marcos que vai me pedir….não sei se devo aceitar, tá tão bão assim….bjs miga
Gente, eu virei prendada muuuuuiiiitos anos depois de me casar e estou gostando desta nova identidade…
Ops lembrei de algo que vais gostar: Lembra da minha prima Leila, de Caxias do Sul? Menina, ela tem um blog com mais de 1000 seguidores! Bem feminino, bem família, bem afetuoso, solar como minha prima é. Ela faz muita coisa em casa, virou menina prendada depois que começou a escrever o Blog.Ela ainda conta sua história de amor que é linda. Entra lá. Ela é "louca", posta quase todo o dia. beijos
Oi querida, esqueci o principal: Aqui vai o endereço da Leilahttp://coisas-da-bruxinha.blogspot.com/
Que demais, eu tb passei a ler e escrever mais depois do blog…bjsss amadinha