O bife à milanesa é basicamente uma carne bovina envolta em ovos e farinha de rosca. Ele é uma unanimidade nacional, não conheço quem não goste, mas conheço quem evita para não engordar – essa sou eu. Amo qualquer coisa que seja à milanesa, até couve-flor.
Os relatos mais antigos desse prato são de 1148, do escritor italiano Pietro Verri, que, em seu livro “Storia di Milano” (o livro já caiu no domínio público e você pode baixar gratuitamente), conta que, em um almoço na Basílica de Santo Ambrósio, em Milão, fora servido um prato de “lombos cum panitio” (costeleta de vitela empanada). Quando essa técnica culinária chegou ao Brasil, no início do século 20, trazido pelos imigrantes italianos, criou-se uma versão mais barata, em que a carne era de frango ou de boi.
Essa receita abaixo deixa o bife à milanesa muito crocante, mas, para isso, é muito importante seguir todas as etapas. Se você pular alguma delas, o bife à milanesa não vai ficar crocante.
Senta, que lá vem historinha! 🥩
Em 1977, lá fui eu, cheia de sonhos e coragem (e quase nada de experiência), para Florianópolis estudar Direito na UFSC. Na minha cidade não tinha faculdade — e, na época, a UFSC era praticamente o endereço oficial de quem queria ser “doutora” no Estado. Saí de casa achando que era adulta, responsável, pronta para a vida. Spoiler: não era.
Fui morar em “república” — que, traduzindo, era um apartamento pequeno, com dois quartos, seis meninas, pouca privacidade, muita risada e zero noção. A gente dividia tudo: comida, roupa, segredos, dramas amorosos e até o último gole de café frio da garrafa. Mas era delicioso. Tudo era novidade. Morar sem pai e mãe por perto, decidir a própria rotina, comer miojo às três da manhã achando que isso era liberdade.
Foi nessa fase que conheci um menino na faculdade. Bonito, simpático… e, claramente, esperançoso. Um dia ele resolveu ir lá em casa. Apareceu todo querido, com uns bifes lindos na mão, tipo: “Vou impressionar essa moça”. E conseguiu. Só não do jeito que esperava.
Eu, sem nenhuma experiência culinária — zero, nada, nem ovo frito — fui toda confiante pra cozinha. Peguei a frigideira, enchi de óleo frio, coloquei o bife cru lá dentro… e só depois liguei o fogo. Sim. Nessa ordem. Não me pergunte por quê. Era 1977. Não tinha tutorial no YouTube. O resultado foi um atentado gastronômico. Um verdadeiro crime contra a alcatra. O bife não fritou. Cozinhou, afogou, sofreu… e morreu lentamente.
Enquanto isso, ele me observava em silêncio. Eu conseguia ler no rosto dele: “Meu Deus, esse bife custou caro.”Nunca vou esquecer aquela expressão de luto. Era como se ele estivesse se despedindo mentalmente do próprio dinheiro. Não lembro direito como terminou nosso “quase romance”. Mas se dizem que o caminho para o coração de um homem é pelo estômago… eu claramente instalei uma placa de “proibida a entrada”.Expulsei o rapaz com um bife assassinado.
Hoje dou risada. Virei dona de receitas, memórias, afetos e panelas bem usadas. Mas tudo começou ali: com seis meninas, um apartamento pequeno, um sonho grande… e um pobre bife que não merecia aquele fim.
INGREDIENTES
- 2 bifes de coxão mole grandes
- 3 xícaras de chá de farinha de rosca
- 3 ovos
- 3 colheres de sopa de água
- Sal e pimenta a gosto
- 2 xícaras de chá de óleo para fritar não use azeite
- Papel tolha para escorrer o óleo
MODO DE FAZER
- Coloque os bifes sobre um prato ou tábua de cortar e, com folhas de papel toalha, seque os bifes dos dois lados.
- Tempere com sal e pimenta – eu só gosto somente com esses dois temperos, mas aqui você pode fazer conforme o seu gosto.
- Em uma tigela rasa, coloque a farinha de rosca e reserve.
- Em outra tigela rasa, quebre os ovos, coloque as colheres de água, tempere com sal e pimenta e bata somente até misturar os ingredientes – não precisa bater muito.
- Passe os bifes na farinha de rosca.
- Depois nos ovos.
- E, por último, na farinha de rosca novamente.
- mergulhe um palito de fósforo no óleo ainda frio; quando acender, é sinal de que está no ponto.
- Frite um bife de cada vez – o primeiro nunca vai ficar tão lindo quanto os outros, não me pergunte o porquê.
- Só vire o bife quando o lado debaixo estiver dourado – isso não demora muito. Use uma pinça ou dois garfos, mas não fure o bife.
- Retire os bifes, escorra bem e coloque-os sobre uma travessa com papel toalha para escorrer mais o óleo.
- Sirva logo que todos estiverem prontos.







